MÃE STELLA de OXOSSI
 

É a quarta filha de Esmeraldo Antigno dos Santos e Thomázia de Azevedo Santos . Órfã em tenra idade, foi adotada pela irmã de sua mãe Dona Archanja de Azevedo Fernandes, esposa do tabelião e proprietário de cartório José Carlos Fernandes.

Foi iniciada por Mãe Senhora em 1939 e tomou posse como Iyalorixá do Ilê Axé Opó Afonjá por morte de Mãe Ondina de Oxalá. É a quinta sacerdotisa do Candomblé de São Gonçalo do Retiro, dirigindo o Opó Afonjá desde o dia 11 de junho de 1976.

Mãe Stella estudou no tradicional colégio baiano Nossa Senhora Auxiliadora. É enfermeira aposentada formada pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, com especialização em Saúde Pública. Exerceu a profissão por mais de trinta anos.

Notabilizou-se por ser a primeira iyalorixá de um terreiro tradicional a combater o sincretismo religioso com a Igreja Católica. Segundo Mãe Stella o sincretismo enfraquece os dois lados. Sua liderança religiosa marcou a história do Candomblé. Em 1983, na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura, em Salvador, Stella articulou a elaboração de uma carta que rejeitava os cultos sincréticos, a submissão a outras religiões.
" Não podemos pensar nem deixar que nos pensem como folclore, seita, animismo, religião primitiva", dizia o documento, também assinado por Mãe Menininha do Gantois e Olga de Alaketo.

- Candomblé não é brincadeira. – diz Mãe Stella.

Sob seu comando, o Axé cresceu. Em 1980 fundou o Museu Ohun Lailai: Casa das Coisas Antigas - o primeiro de um terreiro de candomblé, auxiliada pela psicóloga Vera Felicidade de Almeida Campos, a Oni Kowê do Opô Afonjá. É a presidente emérita do Instituto Alaiandê Xirê, de quem fora a presidente fundadora.
São muitos os projetos culturais e educacionais desenvolvidos dentro do terreiro, que é também a morada de muitos dos filhos e filhas de santo da casa, devido ao tamanho da área, foi cedida a muitas famílias para que construírem ali o seu lar .

Também inclui a Escola Municipal Eugenia Anna dos Santos, onde muito antes de sua existência, já se aplicava a lei 10.639, que regulamenta o ensino da cultura africana e afro-brasileira nas escolas de todo país.
Sacerdotisa de vanguarda é respeitada por suas idéias no longo do território nacional e muitos outros países. Tem proferido palestras e participado de seminários em diferentes partes do Brasil e do mundo. Para ela, foi-se o tempo em que os filhos-de-santo deveriam ficar confinados em terreiros. "Para que a tradição não morra, é preciso viagens, palestras, estudos e entrosamentos", afirma.

• Em 2001 ganhou o prêmio jornalístico Estadão na condição de fomentadora de cultura.
• Em 2009, ao completar setenta anos de iniciação no Candomblé, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia. É detentora da comenda Maria Quitéria (Prefeitura do Salvador), Ordem do Cavaleiro (Governo da Bahia) e da comenda do Ministério da Cultura.
• Em 2010, recebeu das mãos da vereadora Olívia Santana uma placa pelo centenário do terreiro Opó Afonjá ao lado do ministro da Cultura, Juca Ferreira e do sevretário estadual da Cultura, Márcio Meirelles, no Plenário da Câmara de Salvador, Bahia. (fontes: Diário Oficial do Legislativo, 15 de Julho de 2010.)

A Mãe Stella escritora é autora de outros livros. Mãe Stella se destaca também por ter sido a primeira ialorixá a escrever livros sobre sua religião.
• "E Dai Aconteceu o Encanto", Stella Azevedo e Cléo Martins, sua filha-de-santo - Edição das Autoras, Salvador, 1988
• "Meu Tempo é Agora ", Maria Stella de Azevedo Santos, - 1993
• "Lineamentos da Religião dos Orixás- Memória de ternura"- Cléo Martins,2004; participação especial de Mâe Stella - Alaiandê Xirê-

• "Òsósi - O Caçador de Alegrias", Mãe Stella de Òsósi, Secretaria da Cultura e Turismo, Salvador, 2006

• "Owé - Provérbios" - Salvador - 2007.

• "Epé Laiyé- terra viva", conta a história de uma árvore que ganha pernas e vai lutar pela construção de um mundo que respeita o meio-ambiente. Em sua trajetória o personagem Nando não se contenta em não poder fazer nada e parte para uma jornada. Salvador - 2009.

• Mãe Stella foi homenageada com a obra "Perfil de uma liderança religiosa", de Vera Felicidade de Almeida Campos (Zahar, RJ)

• Mãe Stella tem assinado muitos prefácios de diferentes livros e também contribuido com artigos para diferentes jornais, a exemplo de A TARDE (ba) e Jornal do Brasil (RJ), alguns em co-autoria com a escritora Cléo Martins.

Em Agosto de 2010, como parte do Projeto Agosto Cultural (veja mais informações em “Aprendendo a Aprender”) e na culminância da I Feira de Livros, tivemos a brilhante visita da querida Mãe Stella, autora escolhida para ser estudada e prestigiada em nosso evento. Com sua presença tranquila e inspiradora, Mãe Stella ouviu a leitura de seu livro Epê Layê e as apresentações de vários trabalhos desenvolvidos por nossas crianças – o resultado da confecção de um livro com a reescrita do livro Epê Layê, os diferentes registros e reescrita dos livros “Só um Minutinho” e “As Tranças de Bintou”, os objetos africanos construídos em sala, apresentação de cordel e exposição dos mesmos em stands multi coloridos que relembravam as várias faces de nossa Mãe África, além de uma vibrante apresentação de nosso grupo de capoeira Kekerê Alayiê.

 
 
 
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